Clube Desportivo R.C. DE S. MARTINHO DE MOUROS

 

 

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Espaço para entrevistas e artigos

Ronaldo ao Jornal Lamego Hoje
(Outubro, 2006)
Zé Fernando ao Jornal Ventos da Mogueira
(Maio, 2006)


   

Jogador do S.M.M. na equipa de Futsal do Boavista
 

Jovem promessa do Futsal

 

Ronaldo Carvalho que defendia as redes da equipa de Futsal do Clube Desportivo Recreativo e Cultural (CDRC) de S. Martinho de Mouros (SMM), concelho de Resende, assinou, por esta época, um contrato com o Boavista Futebol Clube, na modalidade de Futsal.

 Cármina Fonseca

 Começou na equipa de Futsal do S.M.M., em 2004, como guarda-redes, onde ajudou a conquistar o 3.º lugar no campeonato distrital da 1ª Divisão de Futsal da AF de Viseu, tendo também conquistado alguns prémios, na região, de melhor guarda-redes, num deles “também estava na disputa do prémio o guarda-redes do Boavista, mas eu ganhei”, adianta.

Ronaldo Carvalho lembra com saudade as “boas recordações do S.M.M.” e confessa que “foi graças ao trabalho lá desenvolvido e ao grupo excelente de jogadores com quem trabalhou” que se deve esta subida para o clube portuense.
O futsalista, também conhecido como “Ronaldinho” e como o jogador com mais potencial para marcar golos, tem 18 anos, é natural de Frende, concelho de Baião, e assinou contrato por esta época com a equipa de Futsal do Boavista FC.
Desde Setembro treina de segunda a quinta-feira, já participou no Torneio Internacional de Futsal da Cidade do Porto, apenas ainda não joga no campeonato nacional, pois “ a equipa tem mais dois guarda-redes, com bastante experiência. Eu estou numa fase de adaptação e de aprendizagem. Tenho consciência que vou ter que trabalhar muito”, mas Ronaldo diz acreditar que tem “um grande futuro pela frente, segundo me dizem os colegas, mas também muitos anos de trabalho”, confirma. Fala de uma “boa adaptação com os colegas do Boavista e de uma amizade saudável entre todos”.
Neste momento garante estar “muito satisfeito pelo facto de ser chamado para esta importante equipa” e, apesar de não auferir nenhum salário, “dedico-me a esta modalidade de corpo e alma porque gosto muito”.
O que mais incentiva este jovem promissor é “o nível de trabalho e o facto de uma partida de futebol de salão ser um jogo vibrante do início ao fim”.
O sonho futuro passa por “ser guarda-redes profissional” sendo que a equipa de eleição para jogar seria o Benfica. O guarda-redes que mais admira é João Benedito, ex-guarda-redes do Sporting e da selecção nacional.

in Jornal Lamego Hoje
Cármina Fonseca
Outubro, 2006


O Jornal de S.Martinho de Mouros Ventos da Mogueira entrevistou o Zé Fernando na qualidade de treinador dos juniores 2005/06
 

VM - Em primeiro lugar queremos dar-lhe os parabéns pelo resultado que a sua equipa conseguiu e perguntar-lhe como é que um treinador se sente neste momento?

Tanto eu como o clube sentimo-nos bastante contentes, naturalmente pelo resultado, mas principalmente por se ter atingido o nosso objectivo, que era de imediato preparar e formar jogadores para o escalão sénior e neste momento já temos 4 jogadores integrados no plantel sénior, um deles ainda é júnior e os restantes serão jogadores do escalão sénior para o próximo ano, mas ainda poderão serem integrados mais.

 

VM - No início do campeonato pensava que era possível obter este resultado e pergunto-lhe também como é que conseguiu gerir a partir de uma fase do campeonato a situação de só poder orientar a equipa nos jogos?

Nunca estive obcecado pelo resultado dos jogos, mas sim que a equipa assimilasse o modelo de jogo adoptado pela equipa técnica do clube, porque sem isso não teria fundamento estar com uma equipa de formação. É evidente que não foi fácil gerir uma equipa, que de um momento para outro ficou sem treinador para os treinos. Desde o início da época desportiva eles foram avisados que, por motivos profissionais, poderia não os acompanhar nos treinos. Até Dezembro estive sempre presente e foi nesse período que eles tiveram que assimilar todo o modelo de jogo, pelo menos os conteúdos possíveis, e a partir daí eles treinavam sozinhos, alguns treinos integrados com os seniores ou, na semana que antecedia um jogo muito importante, o Prof. Rui Rebelo assumiu alguns treinos.

 

VM – Como é que se consegue um resultado destes com uma equipa que no início do campeonato a maior parte dos jogadores não tinham formação no Futsal?

Diz-se que é mais fácil educar uma criança do que corrigir um adulto, apesar de não serem crianças mas sim jovens, demonstraram que possuíam espírito aberto à aprendizagem e à evolução, juntamente com a humildade, cumprimento dos treinos, identificação com o clube, concentração e vontade constante de serem melhores hoje do que ontem. Verem que não só estavam numa equipa mas sim num grupo que além de terem o mesmo objectivo desportivo era importante a relação humana.

 

VM – Acha que um clube para atingir algum sucesso deve apostar mais na formação dos jovens?

No caso do nosso clube a resposta à essa pergunta é claramente um sim. Estamos num concelho onde a margem de recrutamento de jovens é muito escassa e a constante procura de jogadores para integrarem um plantel sénior, com os objectivos desportivos como este clube tem, relacionados com os resultados, é impensável um clube não ter formação para que não estejamos sempre a recrutar jogadores que não têm experiência na modalidade federada, tendo-se que iniciar sempre o processo de adaptação, o que é muito difícil e por vezes falhado. Muitos defendem – e bem – que a formação deverá iniciar-se da base, ou seja, das escolinhas ou infantis até aos juniores, mas o que nos interessava é que tivéssemos jogadores a curto prazo aptos para os seniores e assim foi feito, embora com algumas alterações continuaremos a fazê-lo desta forma.

Além destas razões, é sempre mais viável um jogador de formação, pois poderemos ver a sua evolução e se este se identifica com o clube. Mas atenção que isto não quer dizer que um clube não tenha que integrar outros jogadores que não estiveram na formação do mesmo.

 

 VM – Quem os acompanhava diziam que à muito tempo que não viam um grupo de trabalho tão unido como a equipa júnior, você como treinador da equipa como é que conseguiu incutir este espírito tão forte em miúdos tão jovens, foi assim tão fácil?

Foi fácil, como já o disse, eles desde o início estiveram motivados para a competição, estavam ansiosos por participarem numa competição federada, e muitos deles foram integrados pela primeira vez num clube, tudo isto contribuiu para que houvesse união.

  

VM – Rui Miguel, Pedro Esteves, Daniel, Fabian, Filipe e Bruno são jogadores que a curto prazo podem singrar na equipa sénior?

Claramente, quatro desses jogadores trabalham com os seniores desde que acabou o campeonato dos juniores e já jogaram na fase final do campeonato sénior – a liguilha. Apenas o Bruno e o Daniel não treinam no momento com os seniores.

 

 

VM – Qual foi o jogador ou jogadores que mais evoluíram ao longo do campeonato?

Não queria destacar ninguém em especial, mas em geral, todos evoluíram bastante. A dificuldade é que inicialmente estavam todos em patamares muito diferentes. É preciso ver que de todo aquele plantel júnior, só três deles tinham treinado no ano anterior com o plantel sénior, o que lhes deu um maior conhecimento da modalidade e do nosso modelo de jogo.

 

VM – Rui Miguel, Daniel e Pedro Esteves eram jogadores que desequilibravam ou o colectivo é que funcionou?

Como desporto colectivo o que interessa é o grupo num todo, poderá dizer-se que um ou outro desequilibrava nalguns momentos do jogo por serem os melhores marcadores, mas foi sempre o colectivo, pois só as individualidades não funcionariam. Mas esses três jogadores são sem dúvida uma mais valia para uma equipa e viu-se agora na fase final dos seniores.

 

VM – A chamada de jogadores à selecção de sub-18 foi também um factor de motivação para encarar o resto dos jogos que tinham?

Foi uma experiência bastante interessante e gratificante tanto para eles como para mim, já que fui eu mesmo que os convoquei, sendo eu o treinador da selecção sub-18 da Associação de Futebol de Viseu; como eu tinha que saber dividir os meus papéis de treinador da equipa e dos sub-18 nunca disse nem a eles nem ao clube que eu estaria a trabalhar com a A.F. de Viseu, apenas lhes disse que em breve alguns deles poderiam serem convocados para treinarem na selecção e só souberam, da minha função, quando chegaram ao primeiro treino da selecção. É sempre um factor de motivação mas penso que foi mais ao nível pessoal e para o clube que ficou honroso de ter jogadores seus na selecção, colectivamente a equipa sentiu que afinal valia a pena continuar a treinar com aquela dedicação porque poderiam ser recompensados ou reconhecidos. E posso afirmar que o Daniel, João Tuna, Tó e o Fabian portaram-se muito bem.

 

VM – Pergunto se gostou de abraçar este projecto e se não acha que foi um risco assumir o comando de uma equipa sem formação nenhuma no Futsal porque está a iniciar a sua actividade como treinador (qualificado) de Futsal e quando a equipa não ganha a culpa é sempre do treinador e se as coisas não corressem bem, esta situação poderia afectá-lo de alguma forma em termos psicológicos para o futuro?

Foi uma experiência muito importante abraçar este projecto e não considero que fosse um risco porque fui eu que o propus à direcção. O único risco que temi, inicialmente, é que o clube não tivesse recursos para suportar duas equipas com um campeonato semelhante no número de jogos.

Não nego que vencer é um factor motivador e torna mais fácil gerir uma equipa, mas como já disse, sempre nos debatemos internamente para que eles não reagissem de forma negativa quando se perdia um jogo, e que os resultados não eram assim tão importantes. É verdade que existia um balneário muito motivado e com espírito competitivo mas encontraram-se algumas dificuldades em digerir algumas derrotas e aí é que entra também uma das funções muito importante dos treinadores e dos responsáveis directivos, ajudá-los a saber viver o desporto em todas as situações, o saber ganhar e o saber perder. Faz-me lembrar um episódio em Tabuaço que obtivemos uma derrota e obriguei-os no fim do jogo ir à bancada bater palmas aos adeptos que lá se encontravam, por muito que lhes custa-se reconhecer a derrota. Saíram de lá sabendo que jogaram muito bem mas que não foram suficientemente fortes para evitar esse resultado menos positivo.

 

 VM – Teve sempre o apoio da direcção mesmo quando os resultados não estavam a aparecer ou sentiu em alguma circunstância que a direcção apoiava mais a equipa sénior do que a júnior?

Nunca aconteceu uma fase em que os resultados não aparecessem, pelo contrário, tivemos uma sequência de 5 jogos sem perder. Nunca aconteceu a direcção apoiar mais uma equipa que outra, e este feito deve-se muito a duas pessoas que foram incansáveis no apoio aos juniores, a todos níveis, um amigo do clube, Nelson Xavier e um dirigente responsável pelos juniores, José Castro. É muito importante que a direcção tenha dirigentes que se dediquem especificamente aos juniores.

  

VM – Acha que o S.Martinho de Mouros com esta direcção pode projectar o clube para voos mais altos ou seja de uma vez por todas este clube tem pernas para andar?

Considero que sim, desde que haja estabilidade directiva e de outros factores importantes para que um clube possa projectar a médio e longo prazo. Mas é preciso ser racional e saber planear a longo prazo, porque o clube não pode ambicionar voos muito altos enquanto o clube não tiver todas as estruturas que isso importa para que arrisque tudo num campeonato. Penso que todos aprendemos à medida que termina uma época desportiva, Deve-se reflectir no que falhou na época anterior para que no ano seguinte melhore. Eu penso que é importante mostrar, em primeiro lugar, ao concelho que o clube é sério e diferente do que já houve até à data.

 

VM – Na sua opinião como é que vê o desporto a nível do concelho acha que se está a fazer um bom trabalho nos clubes a nível directivo como técnico?

Não sou a pessoa mais indicada para responder. Relativamente ao desporto federado, posso dizer que já esteve pior, mas poderá melhorar e muito. Pelo que eu li, houve uma proposta numa reunião da Câmara Municipal para uma Constituição do Conselho Municipal do Desporto e Assuntos Culturais e que foi deliberado, por unanimidade, sendo remetido para estudo; agora para que servirá isto, quais as linhas orientadoras desta constituição, não sei mas poderá ser um avanço na cultura desportiva que em Resende ainda não existe, na minha opinião. A nível directivo é muito difícil encontrar pessoas disponíveis e capazes para trabalharem numa associação desportiva e a nível técnico ainda é mais difícil. Mas há projectos com mérito e êxito, como o de voleibol e do ténis-de-mesa, por exemplo, falta um clube de atletismo em Resende.

Os clubes precisam de ter nas direcções gente ligada ao desporto e, acima de tudo, com cultura e conhecimentos de desporto! Com isto podem, por exemplo, apostar num grande trabalho de formação, e esta será a chave do sucesso. Mas isto dava para uma grande conversa…

  

VM – Qual é a sua resposta que você encontra para que clubes como o Âregos e Unidos de Resende tenham desaparecido por completo para o desporto e como é que um clube como o Resende que durante muitos anos andou na 1ª divisão distrital e à uns anos para cá caiu na 2ª divisão e não mais saiu de lá e por aquilo que se viu este ano ficou nos últimos lugares de um campeonato com seis equipas tudo isto deve-se a má gestão por parte dos responsáveis dos clubes que preferem pagar ordenados a treinadores e jogadores de fora sem qualidade e não aproveitam os jovens da terra?

(Uma correcção, o Resende encontra-se na 3ª Div. Distrital) O concelho de Resende é muito pequeno para a existência de tantos clubes com a mesma modalidade. É impraticável que exista mais que um clube com a mesma modalidade. Quanto à gestão é evidente que não foram esplêndidas, por exemplo, anos atrás um jogador de Resende nunca poderia ganhar mais que um jogador de fora, independentemente do seu valor, sempre foram descriminados negativamente. Outro grande problema, foi que os clubes sempre basearam os seus orçamentos nos subsídios do poder local. Formação? Só existia para “sacar” mais dinheiro para os seniores. Agora os clubes sofrem pelos erros cometidos anteriormente por todas essas gestões desportivas. Estamos no momento certo para demonstrar que com empenho e a escolha de pessoas sérias e capazes, é possível construir um projecto credível.

 

VM – Voltando a falar do S.Martinho de Mouros acabou o campeonato e agora vão ficar parados ou já estão a trabalhar para a próxima época?

Pelo que já sei, a direcção já está a programar o início a época, mas isso terá que ser a mesma a falar. No que se refere ao escalão de formação, já temos datas marcadas para treinos de captação que serão na segunda quinzena do mês de Julho em S.Martinho de Mouros e em Resende. Não poderei adiantar mais, porque em breve, tal como no ano passado, será feita uma reunião de final de época com a equipa técnica.

 

VM – Por aquilo que soubemos a equipa júnior vai perder alguns jogadores fundamentais que vão subir para a equipa principal tem medo que para o ano não encontre uma equipa competitiva, isto é caso você se mantenha no clube?

Do plantel deste ano apenas 6 são juniores para o ano 06-07, e é provável que alguns saiam da terra para estudarem no ensino superior.

Por isso, vamos construir uma equipa praticamente nova, é urgente fazer captações, para tentar descobrir novos jogadores de outras localidades. O principal problema poderá ser o transporte para os treinos regulares em S.Martinho de Mouros.

Ficou provado que a equipa de juniores foi muito competitiva e alguns juniores (Daniel, Fabian e Pedro) foram determinantes na fase final dos seniores, mas para a próxima época será bem diferente, porque vamos apostar em jovens com idade de juvenis para competir no escalão júnior. Temos que pensar a médio prazo, queremos que os jovens tenham a possibilidade de competir durante mais anos na formação para que haja algum tempo de aprendizagem e amadurecimento para “reciclar” convenientemente, mais tarde, o plantel dos seniores.

  

VM – Para terminar e agora que o campeonato chegou ao fim o que é que gostaria de dizer aos jogadores que vão para a equipa sénior e também para os que se vão manter na equipa júnior qual é no fundo o conselho que lhes gostaria de transmitir numa perspectiva de futuro?

Aos juniores que já estão nos seniores, apenas lhes direi que o ambiente do balneário também dependerá deles, com o carácter deles, com as suas personalidades contribuirão para o enriquecimento do espírito daquele excelente grupo de trabalho. Os que continuam nos juniores, deverão dar exemplo aos novos, do rigor, do esforço, da dedicação, da humildade e essencialmente da camaradagem entre eles.


in Jornal Ventos da Mogueira
20 de Maio, 2006

 

 

 
 

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